quinta-feira, 22 de agosto de 2013

The Amazing Eighties

Bom dia, boa tarde ou boa noite a todos os playerlisteiros que andam por este tipo de ondas hertzianas. Este blogue, transformado em rádio por alguns instantes, tem o prazer de vos dar a ouvir, vulgo ler/ver/degustar e por aí, das melhores rapsódias dos grandes anos oitenta.
Coloquem a casa em silêncio, liguem o vosso sistema surrond, deixem a divisão em média luz que isto não demora muito. Se acabarem por adormecer o problema é vosso que se fartaram do presente e já não querem saber do passado. Para quem rejuvenesce um pouco quando se recorda de como eram as coisas quando eram mais novos, e acredita que este ruído actual nas transmissões é passageiro e vai acabar já no próximo fim-de-semana... É só deixar a memória passear os olhos por estas melodias inesquecíveis.

Living on a Prayer - Bon Jovi
Brothers in Arms - Dire Straits
Bento e Silvino, não há como tentar colocar cá outro. Se o segundo ainda se pode dar ao luxo de ter tido a sorte após o infortúnio do primeiro, foi o primeiro que deixou saudades até à vinda de um tal Michel, isto já nos anos noventa. O Homem de Borracha ainda é o melhor guarda-redes Português de todos os tempos. Felino nos movimentos, praguejou adversários e sossegou adeptos e companheiros. Silvino foi um bom substituto, pena que tenha ido lá para cima (arreliado) vingar-se de quem lhe deu vida no futebol! Duas finais dos Campeões...

Glory Days - Bruce Springsteen
Policy Of Truth - Depeche Mode
Humberto, Ricardo e Mozer como centrais; Todos eles eram altos, ágeis, voláteis e apaixonantes. Uma delícia de ver jogar.

É relativamente unânime afirmar que os Brasileiros foram do melhor que o Brasil já teve nessa função... É mais do que unânime que Humberto foi um dos melhores centrais portugueses.

Humberto foi um dos capitães da história do Benfica, Ricardo o primeiro estrangeiro a ter essa mesma honra.

Jump - Van Halen
Never Tear Us Apart - INXS
Todos os três acabaram por sair, tinham de brilhar efusivamente noutras playlists europeias mas acabaram por regressar à boa casa (como bons filhos), que os aceitou de bom grado, para terminarem as suas composições. Esta casa que sempre teve este tipo de cultura...

Veloso, Álvaro, Tó Bastos Lopes e Pietra fariam qualquer lugar da defesa, eram Benfiquistas de raça, iriam até ao fim...

Veloso chegou a capitão e que capitão! Até jogou a central na selecção e não merece andar com o tal pontapé de Estugarda atrás de si.
Simply Irrisistable - Robert Palmer
Patience - Guns n Rose

Álvaro era raça pura na ala esquerda. Sério e combativo, a última gota de suor só saia no último segundo de jogo.

Bastos Lopes era um cultor de sobriedade que começou a avançado, passou pela lateral para acabar no centro...

Pietra (o Minervas) veloz e tenaz, só não terá jogado a guarda-redes e a avançado.

Eileen - Dexy's Midnight Runners
True Faith - New Orde
Carlos Manuel, Thern e Shéu iriam assegurar aquele espaço entre a defesa e o meio-campo...

Mas esperem! Também poderiam fazer qualquer posição a meio-campo! Pasme-se a cultura táctica destes moços...

Carlão era a locomotiva do Barreiro, imparável e incansável naquele meio-campo. Por ele ficámos com um caneco no covil do lobo e por ele fomos até ao México. Era tudo despachado à bomba sem contemplações

Thern já era mais frio, o norte da Europa também o é,  mas tinha muita ciência em todo o corpo.
Billie Jean - Michael Jackson
Invisible Touch - Genesis
Arquitecto com uma visão periférica fabulosa, tinha um motor que jamais parava.

Já Shéu, rapazola africano de origem asiática, era o pés de veludo mais eficiente que se tinha visto naqueles lados do campo. Veio de Moçambique para ainda estar no Benfica. E por aqui irá ficar até...

Shout - Tears For Fears
Every Breath You Take - The Police
Chalana, Paneira, Pacheco e Stromberg iriam aterrorizar as alas adversárias.

Acredito que se iriam fazer petições para não colocar Chalana, é que mesmo franzino, de cara inocente, Chalanix foi o depois de Eusébio.

Mas Paneira, Pacheco e Stromberg, de tão chateados por tal afronta (a petição), fariam o serviço com o mesmo efeito.

Paneira foi o último extremo
Video Killed The Radio Star - Buggles
Desire - U2
romântico, chegava à linha e emitia certificados de golo com os seus cruzamentos.

Pacheco, se bem que inconstante na sua conduta, era um bólide pela asa esquerda. Muitos deixou para trás antes de entregar as suas encomendas.

Já Stromberg era elegante o que enganava muito porque não andava por ali para dançar. Era também cientista e venenoso.

Valdo e Diamantino iriam assumir a batuta de cada empreendimento que lhes aparecesse à frente, eram maestros do mais puro quilate.
All Night Long - Lionel Richie
Perfect - Fairground Attraction 

Até poderiam jogar juntos! Até poderiam explicar aos adversários a jogada que iriam fazer com 5 minutos de antecedência... A coisa iria dar ao mesmo lugar: O fundo das redes.

O Brasileiro chegou cá por causa do infortúnio do Português. Como maestros super dotados antecederam a chegada de um outro que na altura deles ainda andava a apanhar as bolas enquanto aprendia com eles.
Sledgehammer - Peter Gabriel
The Final Countdown - Europe

Para a função de abre-latas frente aos autocarros, que certamente iríamos encontrar em provavelmente todos os jogos...

Para o centro teríamos duas traves mestras como Manniche e Magnusson... Altos, louros e toscos, estes nórdicos marcaram a continuidade do estilo José Águas/Torres no Benfica e marcaram tantos golos...
it´s only love - Brian Adams
Hungry Like The Wolf - Duran Duran

Depois teríamos avançados do tipo raposas astutas sempre desleais com os defesas contrários, sempre a farejar a nesga como Nené e Rui Águas.

Nené poucas vezes sujava os calções, começou a extremo e marcou a tudo e todos com quem jogou contra. Ostentou recordes por muito tempo... Ficou com o título de assassino silencioso. Ainda ninguém lho roubou

Rui aprendeu a "nadar" com o pai. Era muita água para as camionetas que jogavam contra o Benfica: Duas gerações de Águas... Será que vai vir mais uma?
The Riddle - Nick Kershaw
A kind Of Magic - Queen

Alves e Filipovic seriam excelentes arquitectos para pisar as imediações da grande-área, era tão móveis que se podiam confundir com médios mas quando a bola lhes chegava às chuteiras...

De Alves dizia-se que pressentia, executava e concluía. Era daqueles que acabavam de pensar quando os outros o começavam a fazer. Só Eriksson sabe porque não o colocou frente a uns belgas...

Filipovic era calmo, ondulante mas incisivo. E decisivo na hora de aparecer, vá lá saber-se de onde, para concluir a jogada.
Don't You Forget...  - Simple Minds
Dont't dream It's Over - Crowded House

Vata... Vata? Bem,  se com tudo este fire-power, que precedeu esta última canção, a coisa ainda teimasse em permanecer perra, ou muitíssimo perra... Era colocar o angolano, o melhor batedor de relvados na especialidade de "falta um minuto para acabar e a coisa está negra". Feito!

Falta a quem entregar os milhões de camiões TIR de dores de cabeça que seria a função de escolher o onze de início... E os suplentes certamente.

Esta função ficaria bem entregue, pois eles são os melhores treinadores que passaram pelo Benfica nos últimos trinta anos.Se o Sueco era a ciência, o Português era a mística de mais de vinte anos como jogador e adjunto. Profundos conhecedores do futebol dentro e fora dos relvados, Toni e Eriksson poderiam ainda contar com Eusébio como adjunto... Que mais é que será necessário?

E pronto, chegámos de uma excelente viagem por músicas que somos capazes de nos ter esquecido mas que ainda estão vivas e nos fazem mexer os pés. É que para o futuro caminha-se! Não podemos ficar para trás. Se desaprendemos, podemos ir lá atrás aprender a andar como deve de ser e olhar para a frente e dar à chuteira... 

E Pluribus UNUM

8 comentários:

  1. Ganda post meu caro!

    Tenho de ler com mais atenção. As fotos são excelentes.

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    1. São o resultado de sumos e doces a menos durante os anos de adolescência.

      nunomaf, vá ao museu e tenha momentos bem retemperadores com os outros posts mais vintage.

      Saudações Gloriosas

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    1. Agradecido, muito agradecido António.

      Sempre pelo Benfica. E não é fácil!

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  3. O JJ devia ler o seu blog, desconfio que podia dar um clic naquela cabecinha.
    Parabéns!
    vito g.

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    1. JJ, LFV e outros que por ali orbitam. Nunca é tarde...

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  4. Que compilação de craques.Por esta altura o Benfica comprava pouco mas geralmente bem.Se me é permitido,baseando-me nesta galática montra o meu onze seria:Manuel Bento,Minervino Pietra,Humberto Coelho,Ricardo Gomes,Alvaro Magalhães,Jonas Thern,Carlos Manuel,Valdo Filho,Fernando Chalana,Tamagnini Néné e Rui Águas.Mas claro o mais importante foi poder ver todos estes artistas de vermelho vestido.Se tivesse que escolher uma epoca marcante das demais seria sem sombra de duvidas a temporada de 82-83.Que post fabuloso.

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    1. O meu onze, e respondendo ao desafio, seria:

      Bento, Veloso, Ricardo, Mozer e Álvaro; Carlos Manuel e Valdo; Chalana e Paneira; Rui Águas e Magnusson.

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Ok digam o que bem entenderem.
Depois eu vejo