sexta-feira, 8 de março de 2013

Sport Lisboa e Benfica 1 Bordéus 0 LE

Excelente momento para fazer uma de jornalista (J) e de entrevistado (TB: treinador de bancada), após o jogo de ontem à noite. O jornalista é a raposa que come migalhas, o entrevistado é o treinador de bancada que vai ter de assumir o que se passou em campo.
A malta do treino complicado de ontem à noite
J: Boa noite mister, jogo estranho e complicado que teve hoje lugar no Estádio da Luz. Esperava que as coisas fossem assim tão difíceis?

TB: Sinceramente, estava à espera de uma partida difícil. O bordéus é uma equipa a passar por um momento complicado, uma vez que as coisas não correm bem no seu campeonato, apresentou-se com algumas baixas e o presidente ainda presenteou os jogadores com um bota abaixo verbal. Por tudo isto, contava que as coisas não iriam ser fáceis.

Por outro lado, o Benfica também está a passar por um período difícil. Temos tido dois jogos por semana o que, num plantel relativamente organizado para jogar a champions, se torna complicado para jogar na liga europa que tem mais dois jogos e obriga a um esforço complementar que não estávamos à espera. São dificuldades diferentes mas são cargas psicológicas e físicas sobre os jogadores de ambas as equipas que tentaram fazer o seu melhor.

J: Mas como classifica a exibição do Benfica durante os noventa minutos?

TB: Foi a exibição possível face aos condicionalismos que já enumerei. Temos um objectivo primário que é o campeonato, mas também queremos ganhar a liga europa e a taça de Portugal. É muita oferta para este grupo pelo que a condição física tem de ser muito bem gerida. Assim, fomos capazes de ser rápidos em algumas fases do jogo de modo a criar desequilíbrios. Felizmente, numa dessas transições conseguimos marcar o golo que nos deu a vitória.
Anatomia do golo

J: Não me respondeu à pergunta.

TB: Foi a exibição possível para o momento da época que atravessamos. Já sei que os adeptos queriam mais velocidade, o que equivale a dizer mais esforço. Mas os jogadores estão consciencializados do que há a fazer. Depois do golo, que considero que é do Rodrigo e não do keeper francês, dei indicações para baixar o ritmo do jogo e deixar que os franceses subissem mais as suas linhas, uma vez que até à marcação eles tinham estado a defender com um bloco muito baixo em frente à grande área. No entanto eles nunca abriram muito o jogo.

É normal que isso aconteça quando equipas menores defrontam o Benfica. É melhor estar a perder por 1-0, e aguentar ao máximo que esse resultado assim permaneça até dez minutos do fim, para depois refrescar o ataque e tentar ver se a sorte lhes pisca o olho. Eles não avançaram e nós optámos por não entrar em desvarios físicos, e mergulhar para coma deles de modo a ampliar o resultado. Se tal tívessemos feito, não é líquido que o resultado tivesse sido ampliado. Mas sinto que talvez tívessemos tido um amargo de boca.

J: Foi a exibição possível?
Anatomia de uma oportunidade não concretizada
TB: Foi.

J: Também foi possível observar que há jogadores em franca perda de frescura física, o que acaba por prejudicar o discernimento na hora de executar movimentos/passes/remates. Não pensa que poderia ter sido vantajoso, e uma vez que a prioridade é o campeonato, ter utilizado jogadores como Luisinho, Urreta ou o André Gomes? É que Gaitan e John parecem estar a dar o berro.

TB: Afirmar isso agora é fácil. Realmente parece que tal teria sido melhor visto que os jogadores que mencionou estiveram uns furos abaixo do que era esperado. Quando as coisas não correm como queremos, temos sempre uma alternativa que surge com a velocidade da luz e que se apresenta como podendo ter sido a melhor a apresentar de início... Sei que houve assobios no final do jogo. Até parece que perdemos a partida. Porventura, queriam que o Benfica goleasse o bordéus mas as coisas nem sempre acabam como idealizamos.

A época está planeada, os jogadores são estes. Ganhámos o jogo. Passo a passo sem aventuras.

J: Colocar Roderick a trinco não é uma aventura?

TB: O Roderick não é um central lento. Com sabíamos que eles iriam tentar transições directas ou jogo aéreo, optei por colocar um trinco mais alto. Roderick não é o Matic, mas deu para ver que está a evoluir e a aprender a jogar naquela posição o que lhe trás mais valor como jogador. Não se esqueça que quer Matic e Javi chegaram a jogar a central em outros jogos.

J: Considera o resultado justo, os franceses chegaram a assustar?

TB: Falar em justiça no futebol é um assunto que me deixam sempre pensativo, ainda mais no futebol Português. Onde é que está a justiça no caso do apito dourado? No caso do jogo adiado de setúbal? Na utilização ilegal de jogadores nos jogos da taça da liga e do campeonato? No caso daquele dirigente encontrado morto nas instalações do porto? No facto de os defesas do porto poderem jogar com as mãos dentro da sua grande área, e os nossos nem poderem encostar-se a um adversário que são logo expulsos?

Certo que o bordéus se agigantou em alguns períodos, mas o Benfica conseguiu quase sempre defender de forma compacta, como eles, e prevenir que eles pudessem marcar golos. Tiveram uma ou duas situações em que nos causaram alguns calafrios, mas nós fizemos o mesmo. assim penso que este resultado é justo e espelha relativamente bem o que se passou nos noventa minutos.
O Atletismo do Benfica disse prensente: Ana Isabel Oliveira, Telma Monteiro e Marco Fortes no seu apoio glorioso.
J: Então está satisfeito?

TB: Olhe, satisfeito nunca estamos certo? Eu os jogadores queríamos muito mais. Mas a nós ninguém abre as pernas para a gente ir por ali dentro nas calmas, ganhar os jogos sem nos cansarmos muito. Queríamos mais e compreendo que não seja fácil dar uma pipa de massa por um bilhete para ver um golo. Sei que apetece assobiar.

Mas lanço um repto aos adeptos menos contentes. Que tal pensarem naquele dito popular: "grão a grão enche a galinha o papo"! Ou naquele "devagar se vai ao longe". Após ouvir aqueles assobios, também me veio um dito popular à cabeça: "os cães ladram e a caravana passa".

Mas nestas situações, o melhor é esfriar a cabeça e pensar que mais noventa minutos acabaram e o Benfica ganhou mais um jogo. Se é suficiente para passar à próxima eliminatória? Isso não sei, agora estou preocupado em recuperar os jogadores e estudar a melhor maneira de ganhar os três pontos no próximo Domingo.

J: Ok mister, obrigado por estas palavrinhas. Não parece que venha a ter a vida fácil, pois o grau de dificuldade tende a aumentar com o decorrer das provas.

TB: Eu sei, mas com a qualidade dos jogadores e o apoio inequívoco dos adeptos, é minha convicção de que podemos almejar a fazer uma época condizente com os pergaminhos do clube. Não vai ser fácil. Em termos de campeonato, o poleiro é cobiçado por uma raposa muito matreira que tem muitos aliados. Em termos da liga europa, o Benfica é capaz de ser a única equipa que luta ao mesmo tempo pelo título de campeão nacional...

J: Certo mister. Mais uma vez agradeço-lhe por ter dado esta entrevista e desejo-lhe felicidades. É que eu não tenho medo em afirmar que, mesmo sendo jornalista, sou do Benfica. Não sou como os meus colegas avençados que criticam gratuitamente e mentem sem bases para o fazer de modo a continuarem a ter o seu emprego e a verem os jogos de borla. Boa noite e felicidades.

TB: Agradeço-lhe a amabilidade. Mas deixe-me relembrar-lhe que a felicidade não se tem; Ela constroi-se ao longo do tempo.

Já agora, permita-me aproveitar a oportunidade que me dá para lhe dizer que também me veio à cabeça um dito popular, assim que acabei de ouvir o meu homólogo do porto falar naquela conferência de imprensa: "Vozes de burro não chegam ao céu".

Fica o resumo:
O AMC aproveita para dizer um:
Obrigado a todos
E Pluribus Unum

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Depois eu vejo